A videorreportagem nunca chegou a protagonizar um capítulo sequer na história do telejornalismo brasileiro e da própria televisão - cabe aqui ressaltar que estou falando da TV aberta. Quando passa a ser incorporada pela TV Gazeta em São Paulo, no programa TVMix (esse é o registro que se tem como marco inicial de sua incorporação na programação jornalística), os próprios videorrepórteres de então (Marcelo Guedes, Renata Falzone, Thomaz Cavalieri, entre outros) encabeçam um movimento pró-videorreportagem que ganha musculatura nos anos 90 e se mantém atuante ainda hoje.
O programa ficou no ar até 1990 e serviu de inspiração para outras emissoras.
Depois da TV Gazeta, a TV Cultura também em São Paulo lançou um projeto semelhante. Convocou estudantes de comunicação para inaugurar o núcleo de videorreportagem. O novo modo de compor reportagens televisivas foi aos poucos sendo incorporado aos telejornais da emissora – Jornal da Cultura e Diário Paulista – assim como aos programas de esporte e culturais – Hora do Esporte, Grandes Momentos do Esporte e Metrópolis.
No ano de 1998, o núcleo SP Digital, pertencente ao Canal 21 do Grupo Band em São Paulo contratou seis videorrepórteres. A experiência não chegou a durar um ano. Patrícia Thomaz, (2006, p. 92-94) observa que a videorreportagem se desenvolveu em empresas com poucos recursos tecnológicos como uma proposta de redução de custos para tornar a execução dos produtos audiovisuais economicamente mais viáveis. É possível que naquela época a videorreportagem não tenha se popularizado tanto nas TVs por causa do temor de demissões de profissionais nas emissoras, visto que uma pessoa poderia executar o trabalho de pelo menos três ou quatro (repórter, cinegrafista, produtor e editor).
Ainda que a videorreportagem não tenha experimentado um protagonismo, como coadjuvante, sua atuação não passa despercebida. Em 2001 o jornalista Luis Nachbin consegue emplacar no programa Globo Repórter, da Rede Globo, a videorreportagem “Transiberiana, a estrada de ferro mais longa do mundo". Desde então seu projeto solo alçou voos, não no sinal aberto, mas no Canal Futura.
Esse breve histórico me leva a uma questão que se mostra crucial para entender o funcionamnto de limites e pressões no funcionamento do telejornalismo como um gênero midiático e das suas estratégias comunicativas. Há uma cultura hegemonicamente tão forte na operacionalização de certos padrões normativos do telejornalismo mais clássico - formas textuais e audiovisuais - que interdita novas formações? Que padrões hegemonicos são esses e de que modo a videorreportagem nesse sentido se apresenta como uma resistência?
Fato é que a videorreportagem vai encontrando caminhos alternativos para permanecer presente. Nos canais fechados por assinatura e na web. O que isso significa na relação com uma cultura de fazer e assitir tv aberta, ou seja, com produção/consumo (audiência) e ainda com a reconfiguração dos valores deontológicos do jornalismo?
Vou encontrando possíveis respostas seguindo as pistas de Williams. Metodologicamente falando: entendendo a relação passado/presente, presente/presente e presente/futuro encarnada na história e na experiência cotidiana. É esta história que me tira o sono neste momento e que amo investigar e interpretar. Respostas em gestação...